Maranhão
Em entrevista à TV Mirante, Braide anuncia reforma administrativa e fala sobre apoio à Presidência
Governador eleito do Maranhão detalhou planos para a nova gestão, confirmou intenção de reduzir secretarias e ICMS e disse que anunciará nos próximos dias sua posição no segundo turno presidencial

Um dia depois de vencer a eleição para o Governo do Maranhão, Eduardo Braide (PSD) concedeu entrevista à TV Mirante, nesta segunda-feira (5), e apresentou algumas das primeiras medidas que pretende adotar a partir de 2027.
Durante participação no JMTV 1ª edição, o governador eleito falou sobre reforma administrativa, redução do ICMS, montagem do secretariado, transição de governo, relação com os prefeitos e sua futura posição no segundo turno da eleição presidencial.
Entre as principais medidas anunciadas estão a redução do número de secretarias, a formação de uma equipe com perfil técnico e maior participação feminina no primeiro escalão.
Braide também afirmou que pretende governar para todos os maranhenses, independentemente da posição adotada pelos eleitores durante a campanha.
Segundo o governador eleito, encerrada a eleição, a prioridade será administrar para toda a população maranhense, incluindo quem apoiou outros candidatos.
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“Saibam que a esperança que vocês depositaram em mim, no meu trabalho, será correspondida com muito trabalho a partir do ano que vem em todo o nosso estado do Maranhão, em todos os municípios do Maranhão. Eu serei o governador de todos os maranhenses, daqueles que votaram e daqueles que não votaram em mim também”, declarou.
Braide decidirá apoio para presidente
Outro assunto abordado durante a entrevista foi o segundo turno da eleição presidencial, disputado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Braide não declarou apoio a nenhum candidato à Presidência durante o primeiro turno e afirmou que ainda avaliará qual posição adotará nesta nova etapa da eleição.
De acordo com o governador eleito, a decisão precisa considerar o perfil diversificado do eleitorado que apoiou sua candidatura ao Governo do Maranhão.
Braide ressaltou que recebeu votos de eleitores identificados com a direita, esquerda e centro e, por isso, pretende analisar cuidadosamente a decisão antes de tornar público seu posicionamento.
Independentemente do resultado da eleição presidencial, ele afirmou que pretende estabelecer uma relação institucional com o próximo presidente da República.
Braide citou como exemplo sua passagem pela Prefeitura de São Luís, período em que administrou a capital durante governos federais de diferentes orientações políticas.
“Eu terei a obrigação de me relacionar bem com qualquer um dos dois que seja eleito”, afirmou.
Segundo ele, os interesses do Maranhão deverão prevalecer sobre divergências partidárias na relação com o governo federal.
Transição começa imediatamente
A organização da transição para o novo governo também já entrou na agenda do governador eleito.
Braide informou que começaria ainda nesta segunda-feira a conversar com possíveis integrantes da equipe responsável por receber informações da atual administração estadual.
A expectativa é que os primeiros nomes envolvidos no processo sejam anunciados ainda nesta semana.
O grupo indicado pelo governador eleito deverá trabalhar em conjunto com representantes escolhidos pela atual gestão para obter informações sobre contas públicas, programas em andamento, contratos, obras e demais áreas da administração estadual.
Para Braide, essa etapa será fundamental para que o novo governo tenha conhecimento detalhado da situação administrativa e financeira do Maranhão antes da posse.
Governo terá reforma administrativa
Uma das primeiras mudanças prometidas por Eduardo Braide será uma ampla revisão da estrutura administrativa estadual.
O governador eleito considera que existem órgãos e secretarias exercendo atividades semelhantes e defende a unificação dessas estruturas.
Segundo Braide, o objetivo é diminuir despesas administrativas e direcionar parte dos recursos economizados para investimentos e obras.
Ele citou como exemplo a representação do Maranhão em Brasília, onde, segundo afirmou, existem três estruturas com atribuições semelhantes.
“Não tenha dúvida nenhuma que nós vamos fazer uma reforma administrativa”, afirmou.
A intenção é reduzir a máquina pública sem comprometer os serviços prestados à população.
Mulheres terão espaço no primeiro escalão
Embora ainda não tenha revelado quem fará parte do secretariado, Braide antecipou uma característica que pretende levar para sua administração: maior participação feminina nos principais cargos do governo.
Segundo ele, a estratégia seguirá uma experiência adotada durante sua gestão na Prefeitura de São Luís.
Braide afirmou que mulheres comandaram áreas importantes da administração municipal e que pretende repetir essa política no Governo do Maranhão.
Os convites para composição do primeiro escalão deverão avançar depois da definição da equipe responsável pela transição.
Redução do ICMS está entre as prioridades
Outra promessa que Braide pretende levar adiante é a redução da alíquota do ICMS no Maranhão.
Durante a campanha eleitoral, o tema ocupou espaço importante nas propostas apresentadas pelo candidato.
Na entrevista, Braide voltou a criticar a atual carga tributária estadual e destacou a alíquota de 23% do ICMS.
Para o governador eleito, diminuir o imposto pode provocar redução nos preços, estimular o consumo e criar condições mais competitivas para empresas instaladas no Maranhão.
A estratégia defendida por Braide considera que uma eventual perda inicial de arrecadação poderia ser compensada pelo crescimento das vendas e da atividade econômica.
Ele também acredita que uma carga tributária menor pode tornar o Maranhão mais atraente para novos investimentos, empresas e indústrias, ampliando a geração de empregos.
Educação e IDH estarão entre os principais desafios
Ao falar sobre os indicadores que pretende melhorar durante sua administração, Braide destacou principalmente o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e a educação.
Para ele, os problemas enfrentados pelo Maranhão exigem atuação simultânea em diferentes setores, o que impede a escolha de apenas um indicador como parâmetro de sucesso da futura gestão.
Braide afirmou que pretende trabalhar para elevar a qualidade de vida da população e melhorar os resultados educacionais do estado.
O governador eleito também defendeu que as riquezas produzidas no Maranhão tenham impacto mais direto na vida da população.
Ele citou a infraestrutura ferroviária, portuária, os rios e a produção econômica como potenciais que precisam contribuir para ampliar as oportunidades e melhorar as condições de vida dos maranhenses.
Relação com prefeitos deve priorizar obras
Eduardo Braide também prometeu estabelecer uma relação institucional com os prefeitos dos 217 municípios maranhenses, independentemente de quem cada gestor tenha apoiado durante a eleição.
Braide afirmou que sua experiência como prefeito de São Luís mostrou a importância da parceria entre municípios e Governo do Estado.
Segundo ele, divergências políticas não poderão impedir a execução de obras ou a prestação de serviços à população.
O governador eleito disse que pretende receber prefeitos e analisar as demandas municipais sem condicionar investimentos ao alinhamento eleitoral.
“A obra tem que acontecer para o povo”, afirmou.
Braide também revelou ter recebido manifestações de parlamentares que não integraram a coligação responsável por sua eleição.
A intenção, segundo ele, é construir uma relação de diálogo com a Assembleia Legislativa, os municípios e o governo federal para viabilizar projetos considerados importantes para o Maranhão.
Com a transição prestes a começar e a montagem do secretariado no horizonte, Eduardo Braide inicia agora a preparação para assumir o Governo do Maranhão em janeiro de 2027, tendo a reorganização administrativa, a política tributária, educação, desenvolvimento humano e articulação com os municípios entre os primeiros desafios da nova gestão.
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